Em
síntese, passamos à sua triste e comovente história. Seguiu
para Juiz de Fora com o nome que lhe deu o zeloso funcionário.
Daí foi para São João del-Rei.
Quarenta e oito dias depois, rumou para o Rio de Janeiro para integrar
o 11o Regimento de Infantaria. Em
1944 no 2º Escalão embarcou para a Itália como expedicionário brasileiro,
sob o comando do Cel. Delmiro Pereira de Andrade, Comandante do 11o
R.I. Depois
de uma viagem apreensiva, cheia de sobressaltos
e de grande tensão nervosa, acompanhados de angustiosa saudade
dos seus entes queridos, desembarcou em Nápoles, indo em seguida para
Fornovo onde descansou 31 dias. O
predestinado herói fora escolhido aí para em companhia dos colegas
Wanderley Antonio de Melo e Nestor Alves da Costa observar
os combates do 6o R.I. que estava em ação. Depois de dezoito dias de convivência com os combatentes voltou com seus companheiros para explicar ao comandante da companhia e aos seus colegas, os processos de combates empregados no “front” da Itália. Após
um mês de instruções para o ataque, seguiu todo o batalhão para o front
de Monte Castelo. Começaram
a subir o morro no dia 28 de novembro de 1944, tendo às 18 horas alcançado
o ponto almejado para o início do histórico acontecimento.
Duas horas depois receberam ordens do comando geral para o ataque
e tomada de Monte Castelo, não conseguindo o objetivo, dada a resistência
da tropa alemã, que ali se achava concentrada.
Tornando-se necessária a retirada das tropas da 8a Companhia
da qual fazia parte o herói de nossa terra, ficou mantendo o fogo a fim
das outras se recuarem para tomar posição.
Houve perdas e ferimentos na sua Companhia por esta ocasião, porém
o mais trágico foi a sua retirada.
Esta se deu debaixo de forte tempestade, com relâmpagos, raios
e fogo contínuo do inimigo. Nesta
retirada, dois sargentos e seis soldados se congelaram. Transferido
com sua Companhia para Bombiana onde seu capitão esperava fazer um bloqueio
no inimigo, não o conseguindo, foi que Elias consagrou-se herói da 2a
Grande Guerra! Com
o malogro do bloqueio de Bombiani, a 8a Companhia recuou mantendo
na frente uma patrulha da qual fazia parte Elias, mais 5 soldados e o
1o Ten. Seixas. Em
dado momento, houve um choque de patrulhas.
Alemães e brasileiros com inferioridade em número destes, travaram
sangrenta luta. Neste
choque de extermínio, Elias depois de ferido à bala e caído no chão, recebeu
de um soldado de Hitler forte coronhada de fuzil nas costelas.
Sem forças para locomover-se, sem poder dar um gemido a fim de
se passar por morto na “terra de ninguém” como cognominaram o local fatídico,
permaneceu 48 horas imóvel. O
seu sofrimento era terrível sendo que nem ao menos manifestá-lo podia.
A patrulha alemã, composta de 15 homens, aproximando-se do suposto
cadáver, virou-o de um lado e de outro, tirou-lhe do bolso o maço de cigarros,
seu chocolate, sua alimentação do bornal, sua metralhadora de mão, sua
munição e sua roupa, deixando-o apenas com roupas menores e dizendo palavras
que correspondiam : “um brasileiro a menos ! Elias,
com o pensamento em Deus, em sua pátria, em sua noiva e em sua família,
certo de que morreria, já tinha sido dado como desaparecido – não se acovardou.
Sentia-se feliz e honrado em sacrificar-se por uma causa justa,
porém com grande tristeza, via que sua família iria ficar desamparada,
pois o soldado que lutava bravamente e que ia perecer, não era o Elias
querido e estimado por todos e sim o Geraldo José do Couto, figura imaginária,
que entraria para o rol dos soldados desconhecidos, se não houvesse algum
locupletamento. Um
raio de luz aclarou-lhe o pensamento.
Havia ainda uma esperança.
Um seu conterrâneo de São José do Barroso, soldado Domingos Teixeira
Valente conhecia a sua história e, na qualidade e companheiro de patrulha.,
levaria sem dúvida, aos seus as necessárias notícias. De
repente, como que do céu, surgiu uma voz fraca e suave aos seus ouvidos.
Era Domingos que tangido pela solidariedade do conterrâneo e impelido
pela sua bravura, voltou para socorrer o amigo, porém com a aproximação
da patrulha alemã teve que voltar atrás e se esconder. Momentos
depois, sutil e ágil como um gato, agarrou Elias e quando o arrastava
na escuridão, debaixo do fogo de barragem, ao explodir uma granada próxima
de si, jogou Elias para um lado
protegendo-o com seu corpo, saindo ferido na perna. Não
obstante, arrastando-se, conduziu Elias até a posição de seus companheiros,
onde receberam os curativos de emergência. O
dedicado e heróico companheiro, depois de baixar ao hospital por uns dias
voltou ao “front”. Elias
foi levado para Washington em avião especial e graças ao espírito humanitário
e a evolução da ciência médica na América do Norte, depois de 25 dias,
com o enxerto de duas costelas de platina, são e salvo, voltou para o
“front” da Itália tomando parte, entre outras, na batalha de Montese,
a qual considera a mais dura de todas. Agora,
está o heróico rio-branquense cogitando a retificação do seu nome, a fim
de que as condecorações a que tem direto sejam entregues a Elias José
do Couto e não a Geraldo José do Couto. Publicado
no jornal “Visconde do Rio Branco” em 11/07/1948.
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em homenagem ao meu pai e a todos os veteranos da Força Expedicionária
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